No mercado financeiro sempre existe uma moda em vigor, a mais recente, que acompanha a onda pela busca da desburocratização, são as SPACs (Special Purpose Acquisition Companies) ou, simplesmente, companhias de propósito específico de aquisição.

Apesar de já existirem há mais de 20 anos, as SPACs tiveram o seu boom no mercado financeiro durante a pandemia, que afetou o ambiente dos tradicionais IPOs (Initial Public Offering). Diante das volatilidades e incertezas de um cenário econômico pandêmico, a ideia foi acelerar a entrada de negócios privados na Bolsa de Valores, sem a necessidade de enfrentar o longo, doloroso e arriscado processo de IPO.

Afinal, o que são as SPACs? É simples, são empresas que funcionam quase como um “cheque em branco”, servem apenas para comprar outras empresas e abrir seu capital sem a necessidade de passar pelo processo de IPO.

As SPACs são companhias que não têm um objeto ou um ramo de segmento determinado, seu foco é usar dos recursos captados para comprar ou se fundir a um, funcionando quase como um fundo. Depois de feita a oferta pública, as companhias de propósito específico de aquisição decidem adquirir um negócio de verdade que esteja interessado em ter o seu capital aberto na Bolsa de Valores. Feita a aquisição, como em um passe de mágica, a companhia comprada está, automaticamente, listada!

O curioso das SPACs, ou “companhias cheque em branco”, é que a confiabilidade, diferentemente do que ocorre em um processo comum de IPO, está depositada na reputação de seus patrocinadores (sponsors), já que, como o seu próprio apelido indica, não se sabe qual empresa será comprada no fim das contas. Os investidores confiam que seus patrocinadores irão endereçar os seus “cheques em brancos” à uma companhia com grande potencial de crescimento econômico. É um tiro no escuro esperando atingir um grande negócio.

Neste ano, as SPACs já movimentaram cerca de cem bilhões de dólares em Wall Street e, em razão dos resultados positivos, elas já estão na mira do mercado brasileiro.

Apesar de ainda não haver uma regulamentação para as SPACs no Brasil, três empresas brasileiras já levantaram recursos nos Estados Unidos esse ano.

Este novo formato de investimento, inclusive, já está na mira da CVM: existe uma proposta de regulação das SPACs na Audiência Pública 02/2021, que tem como tema central “minutas de resoluções que estabelecem o novo arcabouço regulatório das ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários” e que está com prazo aberto para manifestação até julho deste ano.

As SPACs parecem ser uma grande aposta quando o assunto é fomentar a economia nacional. Essa nova modalidade de investimento promete ser menos sujeita as alterações de humor do mercado, mas será que também vão conseguir “escapar” da cultura burocrática que persegue a economia brasileira?

Texto elaborado com a colaboração de Felipe Barros Calixto.

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